A Fé Antiga e Perene Falando ao Mundo Atual: Temas Teológicos, Notícias, Reportagens, Comentários e Entrevistas à luz da Fé Ortodoxa.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Por que a Alemanha Reformou seu Futebol e Brasil Perde Espaço?

Em Gana, em 2002, durante a Copa da Coreia e do Japão: o segundo time de todos eles era o Brasil

Do Editor
Com cerca de 200.000.000 de técnicos, achar uma opinião que seja igual a nossa para a tragédia do nosso futebol não é coisa difícil. Mas, entre tantas análises semelhantes, encontramos uma publicação menos passional e criteriosa. Por isto, reproduzimos em nosso Observatório o texto de Luíz Carlos Azenha, publicado em Viomundo porque achamos uma análise pertinente e que contribui para salvarmos da vergonha uma das maiores glórias do Brasil: o seu futebol.
 
Uma outra análise interessante, à qual recomendamos a leituras, é a feita por Flávio Gomes, intitulada Flávio Gomes: 'O fã de Pinochet e o que distribui cones em campo conforme', também uma publicação em Viomundo. Mas, para o nosso Observatório, achamos o conteúdo de Luiz Azenha, mais pertinente. Segue o texto:

"Muito se falou, especialmente depois da goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil, da reforma pela qual passou o futebol alemão desde 2000, quando o país passou por um fiasco na Eurocopa. Resumo de uma reportagem da Deutsche Welle:

Temendo um vexame nacional na Copa do Mundo realizada em casa seis anos depois, os alemães botaram a mão na massa e resolveram tratar do problema pela raiz, criando um programa nacional, inédito no mundo, de formação de jovens craques, que obrigou os 36 clubes profissionais alemães a fundarem escolinhas de futebol. Para montar os centros de formação, a Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla alemã) enviou especialistas para visitar escolas de futebol francesas, holandesas e espanholas. Hoje, o país exibe uma rede de cerca de 390 centros de treinamento, ligados aos clubes, supervisionados pela DFB e distribuídos em diversas cidades alemãs. Desde 2002, mais de meio milhão de euros foram investidos na formação de futuros jogadores. Um detalhe importante é que seleção dos talentos é feita explicitamente sem priorizar “qualidades alemãs”, como força e disciplina, mas observando sobretudo a habilidade das crianças e adolescentes no tratamento da bola.

Mas, os alemães estariam apenas interessados em resgatar o orgulho nacional? Com certeza, mas não apenas isso. Apontamos abaixo cinco outras razões:


1. A INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO
O entretenimento é uma indústria de ponta, do futuro. Quando cresce a renda, as pessoas tendem a gastar mais com a qualidade — ou o que presumem ser a qualidade — de suas horas livres. O futebol se encaixa nisso tanto quanto o cinema.

Os bilhões de dólares recolhidos por Hollywood para a economia americana crescentemente vem de fora dos Estados Unidos, como mostra o gráfico abaixo da revista britânica Economist:





















A linha azul escura mostra o crescimento das vendas de Hollywood fora dos Estados Unidos, em relação ao mercado doméstico. Não estamos falando em trocados, mas na casa dos R$ 80 bilhões de reais anualmente. O entretenimento é uma grande indústria, com a vantagem também de exportar os valores culturais de um país.


No estádio do Kashima Antlers, em Kashima, no Japão, em 2001, com Zico de diretor e Toninho Cerezzo de treinador: eles evoluíram e nós ficamos parados?


2. BOLAS, CAMISETAS E EMPREGOS
A Alemanha tem a maior indústria global de material esportivo, com Adidas e Puma empregando cerca de 60 mil pessoas e faturando perto de R$ 50 bilhões anualmente. É uma indústria com altíssima taxa de retorno, já que numa camiseta de futebol ela vende muito mais que tecido, mas identidade com atletas, clubes e nações. A Alemanha tem quatro entre os 20 clubes mais valiosos do mundo, segundo a revista Forbes. Na ponta da lista estão Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Bayern de Munich. Estes clubes tem um grande potencial de faturamento no Exterior, como fonte de atração de compradores de suas camisetas, para não falar da valorização da marca para os patrocinadores globais.


3. DIREITOS DE TV
Os direitos de transmissão de TV são o coração do futebol. São a principal fonte de renda dos clubes, além de bombar o patrocínio da e a venda de camisetas e aumentar o faturamento com o público nos estádios. É esse dinheiro que permite aos clubes manter escolinhas de futebol, bons elencos e competir com adversários. Mas não basta a um clube ter uma boa escolinha de futebol se ele não pode manter os jogadores que desenvolve e é dominado pela praga dos empresários do futebol.

Um clube sem acesso à TV é um clube praticamente morto. A venda de direitos domésticos de TV rende aos clubes alemães cerca de R$ 2 bilhões anuais. Na Alemanha tanto as emissoras públicas ARD e ZDF quanto a Sky detém direitos, ou seja, não existe monopólio. Quem define prioridades são a federação e os clubes, exatamente o inverso do Brasil, onde quem tem a faca e o queijo é o conluio Globo-CBF. Quando o clube dos 13 tentou desafiar isso, como descrevemos detalhadamente em O Lado Sujo do Futebol, foi esmagado!

Os jogos da Bundesliga, a liga alemã, são transmitidos para 204 países no mundo. Com isso aumenta o faturamento dos clubes alemães com a venda de patrocínios, camisetas e propagandas em placas nos estádios.

Existe uma tremenda competição entre as principais ligas europeias pela venda de direitos de TV. As cincos maiores delas — Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Espanha — recolhem o equivalente a R$ 15 bilhões anuais, segundo a Bloomberg.


A lista acima é a dos clubes que mais faturam com a venda de direitos de TV, em euros. Real Madrid e Barcelona lideram porque, dos cinco países acima citados, só na Espanha os direitos não são vendidos coletivamente. Juntos, eles faturam metade dos direitos de todo o futebol espanhol, às custas de um maior desequilíbrio do campeonato. O mesmo acontece hoje no Brasil, com domínio completo de Corinthians e Flamengo.

Porém, como disse Sean Hamil, professor do centro de negócios do esporte de uma universidade de Londres, à Bloomberg, uma forma mais equitativa de distribuição garante que qualquer clube possa ganhar de outro no campeonato. A fórmula de sucesso de qualquer competição é o equilíbrio, que traz emoção a cada rodada e evita as disparadas de líderes inalcançáveis. É por isso que todas as ligas dos Estados Unidos, de basquete, futebol americano e beisebol (NBA, NFL e MLB) trabalham pelo equilíbrio entre os clubes e o desenvolvimento de mercados locais onde o clube do coração tenha relação direta, cotidiana, com os moradores da cidade ou região.

Um campeonato equilibrado fortalece o conjunto dos clubes.

Hoje, a final da Champions League já é vista por cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Na África, vi pessoalmente em Freetown, Serra Leoa, em Beira, Moçambique e até na maior favela do mundo, em Kibera, Nairobi, no Quênia: pequenos empresários montando cinemas improvisados para ver os jogos de campeonatos europeus.

O futebol tem imenso potencial nos negócios do entretenimento do futuro, especialmente quando Índia e China forem incorporados plenamente a ele, e os alemães estão de olho em uma fatia cada vez maior deste bolo.

E há, além de tudo, grande potencial de segmentação. Aguardem: é questão de tempo até que os grandes jogos sejam transmitidos em cinemas de altíssima definição ou pela internet, como se faz hoje com as óperas do Metropolitan de Nova York e da Filarmônica de Berlim.


4. TURISMO ESPORTIVO
Infelizmente esta pauta escapou à mídia brasileira durante a Copa, talvez por desconhecimento. Existe uma legião dos assim chamados mochileiros do futebol. Não, não são os argentinos acampados no sambódromo de São Paulo. São fãs do bom futebol, não necessariamente desta ou daquela seleção. Vi pessoalmente sete jogos da Copa no Brasil. Poloneses, tunisianos, chineses, malaios, indianos… Na Índia, em 2002, fui à casa do craque Barreto, desconhecido no Brasil mas goleador do campeonato local. Era praticamente um centro de peregrinação de Kolkata, a antiga Calcutá. Fui a uma partida do time dele, o Mohun Bagan, em Goa, um espetáculo inesquecível (para delírio da torcida local, o time de Barreto tomou uma virada inacreditável, vencia por 2 a 0 e perdeu de 4 a 3).

E a Índia nunca disputou uma Copa do Mundo… ainda.

Eu não sei se ainda é, mas o Brasil até recentemente era campeão absoluto de torcedores na África, Ásia e Oriente Médio.

O chamado “turismo futebolístico” tem imenso potencial de crescimento e independe da Copa do Mundo. O viajante vem ao Rio de Janeiro e inclui ver uma partida no Maracanã no roteiro, assim como o brasileiro que vai a Nova York quer ver pelo menos um show da Broadway. Os alemães também estão correndo atrás disso.

 
Ronaldo (à direita, atrás do repórter) num blindado, chega ao estádio de Porto Príncipe para um jogo diplomático: foi 6 a 0 para o Brasil, em 2004


5. DIPLOMACIA INTERNACIONAL
É óbvio e não é de hoje o esforço da Alemanha para projetar uma nova imagem no mundo.

Neues Museum, em Berlim. Minha filha Ana Luisa me leva para ver uma exposição sobre a relação de altos e baixos entre Alemanha e Rússia. Os “baixos” significam uma guerra atroz em que morreram 20 milhões de soviéticos; em que, na sua contra-ofensiva, soldados soviéticos cometeram milhares de estupros. Ou seja, não é nada comparável à rivalidade entre Brasil e Argentina. Mas, de fato, a relação entre alemães e russos é muito mais ampla que uma guerra devastadora.

Dou uma olhada no catálogo da exposição. A mostra é promovida por entidades ligadas diretamente ao governo alemão, parte de um esforço diplomático de reaproximação com os russos.

Hoje a Alemanha se propõe a ser a ponte entre o ocidente europeu e a Eurásia, através de Moscou. Existem sólidos negócios entre os dois países.

Mas, no campo das relações humanas, as memórias associadas a Hitler são impeditivas desta relação.

No livro German Genius, o jornalista Peter Watson descreve em algum detalhe o esforço dos alemães para mudar sua imagem no Reino Unido com o objetivo de atrair turistas, estudantes, investimentos e gente interessada em aprender alemão. Registre-se que, em todo o planeta, os alemães das novas gerações são campeões no conhecimento do inglês: 97% tem conhecimento básico e 25% são fluentes.

O futebol dispensa o idioma. É linguagem praticamente universal. É um poderosíssima arma diplomática. Atravessando de automóvel a Jordânia, a caminho do Iraque, minha equipe de televisão correu risco até se identificar: “Ah, brasileiros, o Ronaldinho!”.

O diretor de marketing da seleção alemã, que acompanha a delegação ao Brasil, em entrevista à ESPN Brasil, admitiu o que sempre me pareceu óbvio: as atividades de jogadores alemães no Brasil foram programadas para apresentá-los aos brasileiros como pessoas comuns, interessadas em nossa cultura. Ele falou isso com todas as letras.

Eu acrescentaria: talvez para desfazer a imagem de alemães frios, calculistas, cruéis e autômatos, que foi espalhada pelo mundo nos filmes de Hollywood durante e depois da Segunda Guerra Mundial.

*****

Nas minhas viagens mais recentes à África, notei um fenômeno curioso: agora, as camisetas amarelas da seleção brasileira dividem espaço com as do Barcelona e do Manchester United. Estamos perdendo espaço. O campeonato brasileiro, por outro lado, tem mínima expressão internacional: é dominado por jogos sofríveis.

Como demonstrado acima, o futebol não é apenas um patrimônio cultural do Brasil. Ainda que mal explorado, é também um importante patrimônio econômico e diplomático, como ficou explícito quando o Brasil levou a seleção para jogar no Haiti. Eu estava lá e vi em Porto Príncipe uma das cenas mais impressionantes de minha carreira jornalística: Ronaldo pendurado em um blindado, acompanhado nas ruas por imensa multidão de torcedores do Brasil.

No Mineirão, cercado de turistas estrangeiros cujas seleções nem se classificaram para a Copa, vi gente incrédula que veio ver o Brasil jogar se perguntando: o que está acontecendo? Há alguma briga entre os jogadores? Algum motivo obscuro para tamanho vexame?

Talvez a Alemanha perca a final da Copa para a Argentina por 7 a 0. Ou o Brasil goleie a Holanda por 8 a 0. Talvez os 7 a 1 tenham sido apenas um desastre fortuito, coisa do Sobrenatural de Almeida.

Mas minha impressão de leigo é de que, enquanto a Alemanha trabalhou para reconstruir seu futebol, o Brasil está a caminho de destruir um patrimônio importante de nossa jovem civilização. Tudo indica que teremos mais do mesmo. Muda-se o treinador, mas permanecerá uma estrutura que favorece cartolas pilantras, uma entidade “sem fins lucrativos” milionária — que comanda clubes majoritariamente falidos — e um grupo midiático que age como dono do futebol brasileiro.


PS do Viomundo: Obviamente que a tendência de uma mídia quase tão fraca quanto nosso futebol é de focar no acessório e esquecer do essencial, por motivos políticos, econômicos ou por pura incompetência."

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Desmascarar a Fifa, o maior legado da Copa no Brasil






A prisão no Copacabana Palace de Raymond Whelan, diretor da Match, o braço da Fifa para venda de ingressos, é mais um dos gols que a polícia brasileira faz nesta velha prática da transnacional do futebol e um legado inestimável nesta Copa brasileira.

Se já não bastassem todos os escândalos recentes que mancharam indelevelmente a imagem da Fifa, a implosão de seu esquema de câmbio negro — que, posso afirmar sem nenhuma dúvida, funciona, no mínimo, desde 1998, na França, com ramificações, inclusive, nos “terceirizados” da CBF, que funcionam da mesma maneira –, fere definitivamente a instituição.

Whelan, que tem fortes relações com a cúpula do COL, certamente é apenas mais um testa de ferro dos poderosos e quanto mais fundo a polícia for mais gente graduada encontrará.

Não nos esqueçamos que um sobrinho de Joseph Blatter está ligado, de uma forma ou de outra, à Match.

Se a Fifa se vingará em campo do Brasil com seus apitadores dissimulados e seus apitos amestrados é algo que deveremos observar atentamente já a partir de amanhã.

Como será interessante observar se a rede montada pelo cartola brasileiro docemente exilado pelo mundo afora também será desbaratada.

Aí, será uma goleada, a revanche justa para tantos “pontapés no traseiro brasileiro”.

Importante: a Match estava em contato com o Rio-16 para o projeto de hospitalidade da Olimpíada.

Uma das empresas investigadas pela polícia, a Jet Set Sports, parceira da Match, é também parceira da Tamoyo Turismo, há muitos anos “a agência do olimpismo brasileiro”.

No Pan-2007, no Rio, ainda sob o nome de Byron, não Match como a empresa passou a ser chamada, essa mesma turma prestou seus serviços de hospitalidade.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Santo Apóstolo João, o Teólogo



O Apóstolo e Evangelista João, cognominado Teólogo, era filho de um pescador galileu, Zebedeu e Solomia. Zebedeu era uma pessoa abastada, ele tinha vários trabalhadores e era um membro importante da comunidade judaica, tendo acesso são sumo sacerdote. A mãe de João, Solomia, é mencionada como uma das mulheres que serviram Jesus com as suas propriedades.

Primeiro, João era discípulo do são João Batista. Ao ouvir a pregação dele sobre Cristo como o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo, ele junto com o André o Primeiro Chamado seguiu Jesus. No entanto era um pouco mais tarde que ele se tornou discípulo constante do Senhor, quando, após a milagrosa pesca no lago de Genezaré (mar de Galileia) o Próprio Senhor chamou-o, junto com o seu irmão Tiago.

Ao apóstolo João, junto com o Pedro e o seu irmão Tiago foi concedida uma proximidade especial ao Senhor, pois estes três apóstolos estavam sempre junto com o Senhor nos momentos mais importantes e solenes da Sua vida na terra. Assim ele foi digno de presenciar a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração do Senhor no monte, ouvir as Suas palavras sobre os sinais da Sua segunda vinda, ser testemunha da Sua oração no Getsêmani. E durante a Ceia ele era apoiado no peito do Senhor, conforme ele mesmo testemunha.

Ele era tão humilde, que ao escrever sobre si no seu Evangelho, ele não menciona o seu nome, contentando-se a dizer somente "o discípulo predileto do Senhor." Este amor do Senhor teve a sua maior expressão nas palavras proferidas por Ele da cruz: "Eis aí a tua Mãe," desta forma encarregando-o de cuidar da Sua Puríssima Mãe.

Amando o Senhor com todo o seu coração, João era cheio de indignação dos que eram hostis ao Senhor, ou aqueles que estranharam Ele. Por isso ele proibia ao homem, que não andava junto com eles, de expulsar o demônio com o nome de Jesus e pediu a permissão ao Senhor de mandar descer o fogo sobre os habitantes de uma aldeia samaritana, que não queriam aceitá-Lo, quando Ele se dirigia ao Jerusalém, atravessando a Samaria. Por causa disto, o Senhor chamou a ele e ao Tiago de "filhos de trovão." João sentiu a predileção do Senhor, mas ainda não era iluminado pela graça do Espírito Santo e portanto decidiu pedir para ele e para o seu irmão um lugar ao lado do Senhor no Reino dos Céus, e recebeu como resposta o anúncio dos futuros sofrimentos dos ambos.

Após a Ascensão vemos muitas vezes o apóstolo João junto com o apóstolo Pedro. Estes dois apóstolos são considerados os pilares da Igreja e o apóstolo João permanece na maior parte do tempo em Jerusalém e fiel ao mandamento do Senhor, cuida da Puríssima Virgem Maria, tornando-se o Seu filho mais fiel e somente após a assunção da Virgem, ele começa a pregar em outros países.

Na atividade missionária do apóstolo João percebemos uma particularidade: ele escolhe uma determinada região e se empenha com todas as suas forças para erradicar o paganismo e firmar lá o cristianismo. O seu alvo principal eram sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ele morava principalmente em Éfeso.

Sob o reinado do imperador Domiciano (81-96), o apóstolo João foi chamado para a Roma, pois ele era a único apóstolo ainda vivo, e sob a ordem do imperador foi jogado num caldeirão cheio de óleo fervendo, mas Deus salvou o seu fiel servo, que ficou ileso, igual aos três jovens na fornalha incandescente. Depois disto, Domiciano exilou o apóstolo para a ilha deserta de Patmos e foi aqui que ele escreveu o Apocalipse, que é uma revelação sobre o destino da Igreja e do mundo.

Após a morte de Domiciano o apóstolo João voltou do seu exílio para Éfeso. Os bispos e presbíteros da igreja de Éfeso lhe mostraram os três Evangelhos escritos pelos apóstolos Mateus, Marcos e Lucas. Ele aprovou estas obras, porém achou necessário completar ainda aquilo que foi omitido lá e que ele, como o último testemunha ocular ainda vivo conhecia bem de perto. Isto era muito importante, pois lá pelo final do século 1 se difundiam várias seitas gnósticas, que humilhavam ou até mesmo negavam a divindade do nosso Salvador, Jesus Cristo. E assim tornou-se absolutamente necessário proteger os fieis deste ensinamento.

O apóstolo João no seu Evangelho relatou os ensinamentos de Jesus, ditos por Ele na Judéia. Estes ensinamentos que eram dirigidos aos escribas cultos eram mais difíceis para a compreensão geral e provavelmente foi por isto que eles não foram relatados nos três primeiros Evangelhos, destinados aos pagãos recém convertidos. Antes de começar escrever o seu Evangelho, o apóstolo João impôs jejum à igreja de Éfeso e se retirou junto com o seu discípulo Prokhor para um monte, onde escreveu o Evangelho, que leva o seu nome.

O Evangelho de João era desde o começo chamado de "espiritual," pois nele, comparando com os três outros Evangelhos, são contidos os ensinamentos do Nosso Senhor sobre as verdades mais profundas da fé — sobre a encarnação do Filho de Deus, sobre a Trindade, sobre a redenção dos homens, sobre a ressurreição espiritual, sobre a graça de Espírito Santo e sobre a Comunhão. Logo no começo, nas primeiras palavras, João eleva os pensamentos dos fiéis para as alturas de procedência divina do Filho de Deus do Deus Pai: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). O apóstolo João explica assim a finalidade do seu Evangelho: "Esses foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e assim crendo tenhais a vida em Seu nome" (João 20:31).

Além do Evangelho e do Apocalipse, o apóstolo João escreveu ainda três epístolas, que também foram incluídas no conjunto dos livros do Novo Testamento, pois eram dirigidas à toda a comunidade cristã. O primeiro e principal ensinamento é sobre o amor dos cristãos: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama nasce de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor" (1 João 4:7-8).

"O amor que Ele nos tem terá seu cumprimento no dia do Juízo, infundindo-nos confiança. Porque como Ele é, também nós somos neste mundo. No amor não há lugar para o temor: o perfeito amor expele o temor, pois o temor supõe castigo e o que teme não é perfeito no amor. Quanto a nós, amemos à Deus, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e detesta seu irmão, ele mente. Pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a Quem não vê. Sim, eis o mandamento que d’Ele recebemos: quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1 João 4:17-21).

A tradição nos deixou várias informações muito valiosas sobre as atividades do apostolo João, que nos mostram todo o seu amor que ele sentiu por todos. Durante a sua visita a uma das igrejas da Ásia Menor, João notou no meio da multidão um jovem que se destacava por talentos excepcionais e o confiou aos cuidados especiais de um bispo. Mais tarde este jovem fez amizade com maus elementos e enfim virou chefe de bandidos. Ao saber disto do próprio bispo, João foi até as montanhas, onde os bandidos atacavam as pessoas, foi capturado por eles e trazido até o chefe deles.

Quando o jovem viu o Apóstolo, ele ficou tão desconcertado, que se pôs a correr. João correu atrás dele, o encorajou com as suas palavras cheias de amor, levou-o pessoalmente até a igreja, dividiu com ele a penitencia e não sossegou, enquanto não o reconciliou completamente com a Igreja. Nos últimos anos de sua vida o Apóstolo não se cansou de repetir sempre: "Meus filhos, amem uns aos outros." Os discípulos perguntaram: "Porque repetes sempre a mesma coisa?" O Apóstolo respondeu: "Porque este é o mandamento principal. Quem cumpre este mandamento, cumpre toda a lei Divina."

Este amor se transformava num ardente zelo, quando o Apóstolo se deparava com heresiarcas, que deturpavam os ensinamentos, privando as pessoas da eterna salvação. Uma vez, num edifício público ele se encontrou com um heresiarca Querinto, que rejeitava a divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo. "Vamos sair rapidamente daqui, — disse o Apóstolo ao seu discípulo, — pois tenho medo que este prédio cairá encima de nos."

São João Teólogo era o único apostolo que morreu de morte natural na idade de quase 105 anos, durante o reinado do imperador Trajano. As circunstancias da morte dele eram extraordinárias e até misteriosas. Por insistência do próprio apostolo ele foi enterrado vivo. No dia seguinte, quando abriram o túmulo do apostolo, se verificou que ele era vazio. Este acontecimento confirmou a suposição de alguns cristãos, que o apóstolo não ia morrer, mas que ficaria vivo até a Segunda Vinda do Nosso Senhor e acusaria o Anticristo. O motivo desta suposição eram as palavras proferidos por Jesus um pouco antes da Sua ascensão. Respondendo a uma pergunta do apostolo Pedro sobre o que aconteceria com o apostolo João, Nosso Senhor respondeu: "Assim Eu quero que ele permaneça até que Eu venha (pela segunda vez), e que te importa isso?" E o apostolo João continua, a respeito disso: "Espalharam-se por isso entre os irmãos essas palavras de que tal discípulo não morreria" (João 21:22-23).


TROPÁRIO - TOM 2

Ó apostolo, amado por Cristo Deus,
apressa-te em vir salvar os homens humildes,
pois Aquele em Cujo peito estavas apoiado te aceita,
quando intercedes pelos homens.
Portanto, Teólogo, ora a Cristo,
para se disperse a neblina entre os homens,
concedendo-nos paz e uma grande graça. 


KONDAKION - TOM 2


Quem declarará a tua grandeza, ó Virgem discípulo?
Pois, fonte profusa que jorra curas e milagres,
São tuas intercessões por nossas almas,
Ó Teólogo e amigo de Cristo!