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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Origem Divina dos Louvores à Santíssima Mãe de Deus


Lucas 1:39-49,56

Isabel e João Batista, movidos pelo Espírito Santo, são os primeiros seres humanos a prestarem veneração à Santa Mãe de Deus. Eles representam todos os santos da Antiga Aliança que saúdam a chegada da Nova Eva, cumprindo-se a antiga promessa ao gênero humano decaído. 
 
A narrativa fala que a voz da Virgem provocou grande júbilo espiritual em Isabel e no Precursor ainda fetal. À maneira dos profetas do Velho Testamento, o Espírito Santo leva Isabel a profetizar acerca da Virgem:


1. Primeiramente usa - em relação à Virgem - a fórmula introdutória dos louvores em Israel: «Bendita és tu...». Igualmente, também, louva à Criança: 
«Bendito É o Fruto do teu ventre»; 
2. Enche de humildade a profetiza diante do que lhe é inefável, pois, assim, Isabel diz: 
«Quem sou eu para que me visite a Mãe do meu Senhor?»; 
3. Faz com que profetize acerca do que não entende: Isabel sem entender como o mortal poderia gerar o Eterno; louva Àquela que Deus santificou: «Bem aventurada aquela que creu...». 
Em contrapartida, à semelhança dos coros que se alternavam nos ofícios levíticos, o Espírito Santo toma a boca de Maria, que também profetiza, louvando o Soberano Deus pela Graça e Salvação que lhe concedeu, sendo ela uma humilde serva; e anuncia a veneração que doravante todas as gerações lhe prestariam: 
«Eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada...» (Lc 1:48; Sl 45:17) 

A maioria dos Evangélicos não consegue enxergar este sentido do texto, porque não possuem uma alma litúrgica. Como suas experiências se centralizam e se apoiam unicamente na razão discursiva, reduzem a expressão «Bem Aventurada» - aplicada à Virgem - a uma simples declaração sobre o estado de sua alma, e não à uma atitude cúltica por parte de Isabel e seu filho fetal, João Batista, ignorando completamente toda a cultura litúrgica que permeava a sociedade judaica e, em particular, desconsiderando o ambiente doméstico de Isabel: o Templo de Deus, pois era esposa do Sumo Sacerdote Zacarias.

Tal abordagem assemelha-se às visões que um lenhador e um botânico exaurem de uma floresta: ambos, conforme a peculiaridade de cada um, só enxergam as suas utilidades: O lenhador de forma geral enxergará apenas os tipos de madeira que a floresta fornece, e o botânico se concentrará na sua biodiversidade; mas, ambos, dificilmente conseguirão exaurir a «alma» da floresta, como faz um artista, que contempla o todo e as realidades que o inspiram.

Este reducionismo não atinge somente à Santa Virgem, mas, também, ao Próprio Cristo, o Senhor; pois se a fórmula «Bendita, Bem Aventurada» for despida do seu sentido cúltico e reduzida a uma mera afirmação, isto significa que Isabel e o fetal João Batista, também não cultuaram e nem prestaram reverência ao Menino-Deus quando afirmaram: «Bendito É o Fruto do teu ventre».

O júbilo de João Batista, que ainda era um feto, desprovido de razão, mas, já cheio do Espírito desde o ventre materno, o rompante que o Espírito dá a Isabel, que «com grande voz» louva a Mãe do Senhor e a inspiração do próprio canto de Maria nos ensinam que, a partir da visita de Maria a Isabel, que foi o Próprio Espírito Santo que inaugurou e instituiu os louvores e a veneração da Igreja à Santa Mãe de Deus: 

«DESDE AGORA TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA»

Pe. Mateus (Antonio Eça)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Maria é a Mãe de Deus?



Comentário do Artigo "Maria, Outra Redentora?" de James R. White

Publicado em Internautas Cristãos


O III Concílio Ecumênico usa o termo "Theotokos" - aplicado a Maria - numa perspectiva Cristológica, como parcialmente percebe o Autor deste artigo; porém se equivoca quando analisa a expressão "Mãe de Deus" como inadequada e imprópria. Maria é chamada "Mãe de Deus" porque, primeiramente, é assim que o Espírito Santo a designa nas Sagradas Escrituras (Lc 1:41-43).  Isabel, CHEIA DO ESPÍRITO SANTO, a chama de "MÃE DO MEU SENHOR". "Cristo é o SENHOR" foi o primeiro Credo da Igreja (1 Cor. 12:3), escandalizando os judeus, cujo raciocínio teológico os levava a crer que fazer de um homem Deus era simplesmente uma blasfêmia inaceitável.

Mas Cristo embaraçou o raciocínio dos teólogos judeus, exatamente com o argumento da encarnação do Messias:
"E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo" (Mateus 22:41-46).

Visita de Maria a Isabel

Assim, Davi, pelo Espírito Santo chama o Cristo de Senhor (Deus); Os Apóstolos, pelo Espírito Santo dizem: Cristo é o Senhor (Deus) e Isabel, cheia do Espírito Santo diz de Maria: "Mãe do Meu Senhor (Deus)". "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas".

Contudo, apesar da clareza das Escrituras, ainda existem pessoas que dizem que o termo "Senhor", ainda que sendo o mesmo vocábulo, na fala de Isabel não quer dizer "Deus".

Esta preciosidade de lógica assim raciocina:

Quando o Espírito Santo por Davi diz que o Filho é o Senhor, Ele o está chamando de Deus;

Quando os Apóstolos pelo mesmo Espírito chamam Cristo de Senhor, o está chamando de Deus;

Mas, que quando Isabel pelo mesmo Espírito diz "Mãe do meu Senhor", não está dizendo que ela é mãe de Deus. 

Acho que muito mais do que uma lógica exegética, os que assim elocubram, precisam mesmo é de honestidade em suas falas e temerem a Deus, pois, se o termo "Senhor" na boca de Isabel não quer dizer Deus, então os que assim interpretam, negam, subsequentemente, a Divindade da Criança que Maria trazia em seu ventre. Assusta-me ver até onde as passionalidades podem nos levar.

Transmissão genômica
Em segundo lugar, a expressão "Mãe de Deus é pertinente" porque Maria fornece seus genes (como oblação) para que o Verbo Eterno (que não possuía carne) pudesse ter uma existência biológica. É uma epiclesis eucarística, pois o Espírito Santo fecunda a sua carne. 
"Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra". (Lucas 1:38)". 
Maria, a Segunda Eva,
a Mulher Vestida do Sol
que vence o Dragão, a antiga Serpente
A encarnação não se deu por um estupro celeste. Houve um assentimento da Virgenzinha de Belém. Ao contrário de Eva, ela não acolhe a palavra da Serpente e nem se alimenta da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mau, mas, livremente acata a Palavra Divina e se alimenta da Árvore da Vida. Assim como a Árvore Maldita entranhou a natureza de Eva, assim a Árvore da Vida santifica a natureza de Maria, a segunda Eva. A primeira gera os filhos para morte, a segunda Aquele que dá a vida. Todo genoma de Cristo Ele o herda de Maria. De maneira que Seu biótipo, Sua estrutura psicológica, tudo em sua biologia é herdado dela. O que nos maravilha de forma inefável nesta contemplação da Graça Divina em se unir à criatura humana, é que todo o material genético do Sangue ofertado na cruz, é retirado de Maria. Isto não a torna absolutamente co-redentora, mas lhe confere a primazia, pois ela é a primeira a comungar do Corpo e do Sangue de Cristo, não precisando ingerir nem pão e nem vinho, pois estes elementos eram sua própria carne e seu próprio sangue.



Abraão hospedando
a Santíssima Trindade (Gn 18)
O Autor teme que a exaltação da Virgem a coloque numa condição quase divina e, assim, “roube” a glória de Deus. Ora, o objetivo da nossa redenção é nos fazer chegar à estatura de Cristo (Ef. 4:13), a nos fazer ontologicamente totalmente iguais a Ele (Rm. 8:29), ou seja, alcançarmos a nossa deificação ao entrarmos em plena comunhão com a Santíssima Trindade (João 17:1-3, 20-24).

Esta deificação é prefigurada já na Antiga Aliança, conforme esclarece o próprio Cristo, que diz que aqueles que entraram em contato com Ele em teofanias do Velho testamento foram chamados de “deuses”(Sl 82:6; João 10:34,35). Ora, se àqueles que apenas de longe entraram em contato direto com o Verbo Eterno lhes coube apropriadamente serem chamados de “deuses” (elohim) quanto mais àquela que se tornou simbiótica em seu ser com o Eterno, gerando-lhe a existência biológica, cabe o título “Mãe (genitora) de Deus”?

Criação de Adão e Eva
A Escada de Jacó
Assim, Maria, não só prefigura - como os Profetas da Antiga Aliança - a união hipostática da criatura humana com o Criador, mas nela a Graça vai mais além: Maria se torna a antecipação escatológica (antecipa no tempo) esta realidade última da humanidade redimida. Por isto o Anjo a reverencia dizendo: 



“Rejubila-te, ó portadora de graça inefável" (κεχαριτωμενη - Lucas 1:28). 

No ventre da Virgem se cumpre a visão da “Escada de Jacó”. Deus desce ao humano, mas também o humano se eleva ao Divino, ou seja, o mistério da Encarnação. Por isto disse Santo Irineu (discípulo do Apóstolo João):

“Deus se fez carne para que o homem se tornasse deus” (Contra as Heresias).

Como a primeira a provar tal realidade (que será realidade em todos), Maria ocupa a primazia, portanto lugar de honra na galeria dos que venceram pela fé, da grande nuvem de testemunha que nos cerca, aquela que todas as gerações louvariam como sendo a mais digna (Lc 1:48) a começar pelo Arcanjo (Lc 1:28) seguido por Isabel e João Batista (Lc 1:41-43). São João, na visão apocalíptica a vê exaltada sobre toda a Criação (Ap. 12:1-2).


Maria gera (não cria) o Filho de Deus, assim como também o Pai na eternidade gerou (não criou) o Seu Filho. Se o Autor entende que o termo “mãe” é inadequado porque confere a Maria existência anterior a Cristo, então a Bíblia estaria errada em usar os termos “Pai" e “Filho” para as duas Pessoas da Santíssima Trindade porque sugerem que Um é Criador e o Outro criatura. No entanto, o Pai “gera” (não cria) o Filho. Assim, os termos “Pai de Jesus Cristo” e “Mãe do Senhor” exprimem relação de existência e não de pré-existência.

Portanto, assim como não devemos deixar de exaltar a leitura das Sagradas Escrituras por medo dos que a distorcem e dão uma conotação mágica à sua leitura, também não devemos, por medo da idolatria, deixar de exaltar devidamente Àquela a qual Deus exaltou e em tudo lhe deu a primazia (exceto sobre Cristo, é claro).

Exaltar a Santa Virgem não rouba em nada a glória devida a Deus, antes a estabelece, porque Deus, que é glorificado em seus santos (2 Tes. 1:10), receberá eterna glorificação por toda glória que Ele nos confere (Ap. 4:8-11).

Glória a Deus que conferiu à Sua humilde serva graça tão indizível (Lc 1:49).


"Ouve, ó filha, e vê, inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai, Pois o rei se afeiçoou da tua formosura, Ele é teu Senhor. A filha de Tiro o adorará e os ricos do povo suplicarão o teu favor. A tua glória é como a da filha do rei de Esebon; o teu vestido é entretecido de ouro. Levar-te-ão ao rei com vestidos bordados;  virgens para o teu cortejo se trarão a ti. Com alegria e regozijo as trarão; elas entrarão no palácio do rei. Em lugar de teus pais estarão teus filhos; deles farás príncipes sobre toda a terra. Farei lembrado o teu nome de geração em geração; por isso os povos te louvarão eternamente". 
Salmos 44(45):10-17